Como o boy group BTS desafiou as chances para quebrar as barreiras do K-Pop

Em apenas quatro curtos anos, a banda de sete peças acumulou uma fanbase obsessiva, descarrilhou as 'Big 3' gravadoras da Coréia e tornou-se o ato mais proeminente do país à quebrar o oeste


Obs.: Todos os trechos grifados em rosa não fazem parte do texto original, mas foram incluídos por nossa equipe para adequar o material ao português e/ou fornecer mais dados sobre o tema/a palavra/expressão utilizado(a/as).


BTS
   
Desde que suas legiões de fãs, conhecidas simplesmente como A.R.M.Y. ('Adorable Representative M.C. for Youth'), os impulsionaram a arrebatar [o prêmio de] Best Social Act debaixo do nariz de Justin Bieber no Billboard Awards em maio, os sete membros do grupo sul coreano BTS – rappers Rap Monster, J-Hope, e Suga; vocais Jimin, Jin, Jungkook, e V – foram cobertos servilmente por publicações da Vogue a AllureForbes a People, tornando-os facilmente o ato coreano mais proeminente no oeste desde que PSY irrompeu anteriormente na selva de 2012 com "Gangnam Style".

Eles talvez ainda sejam considerados como um fenômeno [que se deu] da noite para o dia por uma mídia americana impressionada pelo poder do grupo nas redes sociais, mas mesmo a menor espiada por trás das cortinas brilhantes mostra o quão ferozmente o[s membros do] BTS se dedicaram a nutrir uma relação simbiótica de longo termo entre o grupo e seu fandom. Aquelas sete personalidades imensamente amáveis e robustas têm sido constantemente canalizadas por mais de quatro anos em uma onipresença nas mídias sociais por meio do Twitter, uma série de mini-shows (tais quais American HustleBon VoyageRun BTS!, e BTS GAYO) transmitidos em uma variedade de plataformas online, e centenas de vídeos 'por trás das cenas’ no Youtube conhecidos como Bangtan Bombs, que capturam o lado mundano do estrelato – camarins intermináveis, hotéis, e viagens – e as travessuras que eles aprontam durante esse tempo.

Têm sido uma jornada emocional durante a qual eles criaram seu próprio pequeno universo, que é um refúgio para os membros e fãs, denso com piadas internas e frases de efeito (assim também como algumas provações e tribulações), uma linguagem secreta que os fãs captam lentamente quanto mais fundo se infiltram nele. Essa intimidade forjou uma conexão indestrutível entre o BTS e A.R.M.Y. e [foi] traduzida em um rolo compressor de apoio que esmaga outros fandoms – mas que também incitou outros grupos a elevarem seu jogo social, desde grupos como Astro, adotando a abordagem pesada de selfies do BTS, até o novo boy group WannaOne reproduzindo a conta do @BTS_twt no Twitter com @WannaOne_twt.

Naturalmente, nada disso dominaria a atenção das pessoas se não fosse pela produção criativa estelar do BTS, que é tão pessoal quanto sua presença fora do palco. Suas letras auto-escritas podem ser sinceras e cruas, enquanto sua música experimenta com e mistura gêneros do hip hop ao rock, EDM a future bass, e os vídeos acompanhantes [das canções] contém narrativas ricas em torno do realismo social, que ajudaram a estabelecer um novo padrão para os visuais do K-pop.

Tudo sobre o imenso impacto do BTS é sentido [de modo] mais intensamente simples, pois nunca se esperou que eles fossem bem sucedidos de maneira alguma, muito menos [capazes de] desafiar o status quo do K-Pop, onde os grupos das grandes companhias de entretenimento é que mandam, e aqueles de companhias menores, como o BTS, preenchem as lacunas. Mesmo até tão recentemente quanto o ano passado, o[s membros do] BTS eram vistos pela indústria como oprimidos e isolados, algo que eles pareceram adotar e tornar parte de sua identidade – mesmo se apenas para esmagar ruidosamente esse status contra os discos de platina que estão alcançando.

Com 16 singles em vídeo até a presente data, o catálogo do BTS está transbordando com [um] trabalho memorável que lhes promoveu destaque entre seus contemporâneos. Aqui, examinamos cinco vídeos [que foram] marcos importantes e ajudaram a definir a ascensão ininterrupta e excepcional do grupo em direção à realeza pop.

BTS

AQUELE QUE INICIOU TUDO: “NO MORE DREAM” (2013)

Olhando para o debut do BTS em 2013, é incrível o quão jovem eles parecem – Jungkook era um mero [garoto] de quinze anos. E a quantidade de [roupas da] Hood by Air e KTZ ostentada pelo grupo é impressionante. A faixa anunciou o BTS como ‘idols [de] hip hop’, um conceito no qual eles não se encontravam sozinhos (os grupos B.A.P. e Block B, ambos os quais misturam rappers e vocais talentosos, haviam debutado em 2012 e 2011 respectivamente e, como o BTS, tinham muito a dizer). Mas “No More Dream” impactava de forma firme, criticando ‘cumprir’ um futuro tradicional, das 9 às 5 [turno tradicional de 8 horas de trabalho], e a hipocrisia daqueles contrários a sonhar grande quando eles mesmos não tinham nenhuma aspiração própria.

O design do set do MV (music video), incluindo rampas de skate, salas de aula e grafite, era recheado ao extremo porém efetivo em configurar o cenário para a primeira parte da série ‘school trilogy’ do BTS, e o grupo era, apesar de sua idade e status de rookie, irresistivelmente seguro de si, capaz de dominar a atenção apesar do pano de fundo frenético. A música ainda se sustenta graças ao seu contrabaixo e ganchos melódicos, e foi apresentada ao vivo na íntegra até a tour WINGS desse ano, o que deu-lhes oportunidades contínuas de realçar a faixa com a força de uma profecia auto-realizada e um dance break que se tornou um conteúdo digno de lenda.

No tempo [do lançamento], “No More Dream” marcou-os como um grupo a ser observado, e ainda hoje, mantém-se como uma mina de ouro saturada de cores – a introdução recheada de atitude, o movimento súbito com os óculos icônico do V, a linha espirituosa de Suga “I wanna big house, big cars and big rings”, e o ainda excelente movimento do Jungkook de levantar Jimin horizontalmente para correr ao longo das costas dos membros parados em pé.



AQUELE QUE MUDOU O JOGO: “I NEED U” (2015)

Enquanto eles se encaminhavam em direção ao seu terceiro ano, o BTS tinha uma fanbase sólida, mas ainda não tinha rachado o mainstream – porém “I Need U” foi seu momento de precipício [momento anterior à realização de uma ação; nesse caso, a de atingir a popularidade dentro do público do K-pop]. Ele os retirou do som pop/hip hop movimentado e da vibe divertida de singles como “War of Hormone” e os imergiu em grande drama e desolação com uma abundância de eletro [música com batida rápida e trilha de apoio sintetizada] e um refrão suntuosamente elaborado.

Como o início da saga do álbum de duas partes 화양연화 (Hwayang-yeonhwa), ou The Most Beautiful Moment in Life, você pode praticamente ver e sentir as placas tectônicas do grupo mudando para o alinhamento perfeito. Ter uma equipe de produção de longo termo e um correspondente fluxo de ideias e objetivos entre grupo e gestão significou que “I Need U” pareceu como se o grupo estivesse explorando novo terreno de maneira natural, ao invés de mudar radicalmente para buscar sucesso. No fator ‘letra’, é uma trilha direta de término, mas seu poder repousa nos vocais carregados e arranjo aperfeiçoado – sem mencionar, claro, um vídeo que te atinge direto no estômago.

Esta, a versão original, é um banquete visual da juventude desamparada, como o The Outsiders [filme do século 20 de temática similar] para o século 21. A paleta suave torna os momentos alegres, brandos, e os desesperadores e violentos, irreais, enquanto o enredo – pesado com alegoria, e propiciando milhares de teorias de fãs – atraiu uma enorme quantidade de fãs novos e curiosos. A narrativa continuou através de “Prologue”, “Run” e, finalmente, “Epilogue: Young Forever” para criar um conjunto denso e invejável de vídeos, ajudando a gerar uma tendência de ‘trilogia’, utilizada por contemporâneos como GOT7 e MONSTA X.




AQUELE QUE FIGUROU COMO UM BLOCKBUSTER DE HOLLYWOOD: “FIRE” (2016)

Alguns talvez argumentem que “Dope”, com sua cinematografia que imita uma única tomada e letras determinadas [que encorajam] mirar em direção às estrelas, talvez ocupe bem esse papel, mas “Fire” é a dicotomia do BTS – seu destemor, status de estrela e execução em larga escala versus sua doçura e humor desinibido – transformada em realidade.

“Fire” é, ao mesmo tempo, intimidadora e tranquilizante: na fração de segundo que segue o breve "타오르네 (“it’s burning”), de Suga, ela explode em um furacão de baixo destruidor, sintetizadores e um tinir de snare rolls [sons alternados de bateria], como um estádio de rock alimentado durante uma rave de 24 horas, vestido em Saint Laurent e coreografado dentro de uma polegada de sua vida [de forma acelerada]... e então aparece V passando a blusa do Jin, com Jin ainda nela. É uma lição de como fazer um vídeo de música que não se leva muito a sério mas significa negócios [algo profissional, sério em sua produção] – transforma a marcação de charme para o modo assassino, com piscadelas, olhares ardentes e mordidas de lábio, acende tudo e derruba carros de guindastes como se mirasse uma medalha Michael Bay [diretor de ação explosiva]  de destruição extravagante, e ainda enquadra o chamada de reunião da música para as armas [preparação para um confronto] e uma de suas rotinas de dança mais brutalmente precisas, com foco de laser [atenção intensa à uma atividade].

É no palco ao vivo onde “Fire” pode atingir com força máxima – sua apresentação nos prêmios MAMA 2016 foi como ter todo o ar sugado de seus pulmões, um momento visceral, decisivo da carreira, onde aqueles que não estavam convencidos de que o BTS tinha se tornado um dos grupos mais importantes do K-Pop não podiam mais duvidar disso.




AQUELE QUE OS MANDOU PARA A ESTRATOSFERA: “BLOOD SWEAT & TEARS” (2016)

Tropical house [subgênero musical] pode ter sido uma tendência global a qual o K-Pop aderiu tarde, mas o BTS pulou dentro dela para "Blood Sweat & Tears", combinando elementos do gênero com os sons mais agitados de moonbahton [gênero musical] para uma música que era sexy, ainda que intelectual, e eles pisaram completamente fora do caminho que tinham esculpido tão cuidadosamente. Da realidade rigorosa de todo homem de "I Need U" e "RUN", o BTS agora se achava em uma fantasia barroca de vendas e absinto – e mesmo se você não ligou [para o fato de] que [a música] pegou sua história emprestada da ficção Junguiana [psicologia analítica] de 1919 de Hermann Hesse, Demian, você poderia ser seduzido pela coreografia sinuosa, cenários extravagantes e close ups cuidadosos que celebram cada parte de suas belas faces.

"Blood Sweat & Tears" foi um passo adiante mental, fisica e emocionalmente, uma canção de rompimento que se lançou dentro do abismo onde letras sombrias eram justapostas pelo pó de ouro do gancho monstruoso. Afastar-se do angustiado protesto juvenil de seus dois álbuns anteriores foi um risco, mas este é um grupo cuja carreira completa foi despendida provando as pessoas erradas [em relação a ele]. Então foi agradavelmente emocionante que "BST" e seu álbum fonte WINGS ganharam uma leva de prêmios de música [nas categorias] de Melhor Álbum, Melhor Vídeo, e Melhor Grupo Masculino baseados no Sudeste Asiático, cobertos pelo choque dos fandoms que não podiam acreditar que um grupo de uma companhia pequena poderia descarrilhar a tradição de vitórias das ‘Big 3’ agências de entretenimento do K-Pop (YG Entertainment, SM Entertainment e JYP Entertainment).

Em seu despertar, e apesar de "BST" ter sido lançada outubro passado, trop-house se tornou-se extensamente difuso no K-Pop, com faixa após faixa ainda procurando a mesma alquimia para chegar ao topo das charts e a tendência não exibindo nenhum indício de desvanecer.



AQUELE NO QUAL ELES SE TORNARAM REALMENTE À PROVA DE BALAS: “NOT TODAY” (2017)

Por mais tentador que seja simplesmente citar as brilhantes Bangtan Bombs, trailers e .gifs que se acumularam em torno do BTS (tais quais a introdução imperdível da tour de 2015, onde, vestidos como oficiais navais, eles exibem passos afiados a[o som de] Krizz Kaliko e Limp Bizkit) para esta entrada final, nós completamos o ciclo com seu lançamento original mais recente.

Assim como "Fire", "Not Today" é épico em escala, com um baixo pesado, leves elevações súbitas e um refrão dominante, com repetições de sons vocais. É o que o BTS consegue fazer sem dificuldade – uma peça com múltiplas camadas que transmite um sentimento cinemático ainda que íntimo (nesse caso, por meio da referência indireta ao seu A.R.M.Y. na letra e inclusão de partes da favorita dos fãs "뱁새 (Baepsae/Silver Spoon)" na mistura). "Not Today" apresenta o grupo de forma intrigante como vulnerável e poderoso ao mesmo tempo, pois mesmo sendo altamente aclamados e amados por milhões, eles estão cientes de que todos os seus movimentos estão sendo observados por anti-fãs e rivais. Portanto, as cenas simulando o preço fatal em filmes de guerra como Gallipoli são justapostas por sua ‘ressurreição’, e [pela] tomada aérea inspirada que captura o BTS em uma formação de voo em ‘V’, surgindo adiante."Not Today" não é apenas uma declaração de não-rendição ao lado mais feio do sucesso, mas um voto de não serem contemplativo de sua posição invejável.

Como o single final da era WINGS, foi um vídeo ousado e impactante a ser lançado logo antes deles entrarem nos confins seculares de uma tour, como um dedo médio beijando adeus. Entretanto, agora integralmente banhado no olhar penetrante do holofote mundial com muito foco em relação a projetos futuros, "Not Today" parece mais importante – o local de partida decisivo e feroz que indica que, independentemente do canto para qual o BTS vire em seguida, será, antes de tudo, por eles mesmos. Sua trajetória em direção ao topo foi determinada, quer você esteja a bordo ou não.





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